O sucesso de público da Copa do Mundo em 2014
Antes do torneio, protestos e desconfiança. Durante, 3,4 milhões de torcedores e 98,4% de ocupação dos estádios. Como a Copa de 2014 virou uma das mais bem frequentadas da história apesar do 7 a 1.
Antes da bola rolar, a Copa de 2014 carregava um clima pesado de desconfiança. Tinha atraso de obra, protesto de rua, gente discutindo se valia a pena gastar dinheiro público com estádio em vez de hospital e escola. Depois que o torneio começou, virou outra história: as arquibancadas brasileiras entregaram uma das maiores festas de público da história da competição, e isso não é exagero de torcedor, é número fechado pela própria FIFA.
Os números
A Copa de 2014 reuniu 3.429.873 torcedores nas 64 partidas disputadas, uma média de 53.591 pessoas por jogo. É o segundo maior público total da história da competição, atrás apenas dos Estados Unidos em 1994, e o maior já registrado considerando o formato atual de 32 seleções. A taxa de ocupação dos estádios ficou em 98,4%, número acima até da própria expectativa da FIFA antes do torneio começar.
| Dado | Número |
|---|---|
| Total de torcedores | 3.429.873 |
| Média por jogo | 53.591 |
| Taxa de ocupação | 98,4% |
| Ingressos vendidos ao público geral | ~3,2 milhões |
| Jornalistas credenciados para a final | 2.500 |
A final e o maior público da edição
Final da Copa de 2014 no Maracanã. A Alemanha venceu a Argentina na prorrogação, diante de 74.738 pessoas. Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil (CC BY 3.0 BR) / Wikimedia Commons
A final, no Maracanã, reuniu 74.738 pessoas para ver a Alemanha vencer a Argentina na prorrogação. Esse número igualou, e não superou, o maior público da edição: a mesma marca já tinha sido batida poucas semanas antes, no mesmo estádio, durante Argentina 2 a 1 Bósnia, ainda na fase de grupos.
O clima nas arquibancadas
O que chamou atenção, além do número puro, foi o clima das arquibancadas. Relatos da época, de torcedores brasileiros e estrangeiros, descrevem estádios tomados por gente de todos os cantos do mundo, de todas as cores, com bandeiras de seleções que normalmente não enchem estádio em lugar nenhum. Era uma festa que ia muito além de quem estava jogando ali, parecida com o clima de Copa que o Brasil já tinha mostrado capacidade de criar desde 1950, só que agora numa escala de público global, não só local.
O paradoxo: vexame e sucesso ao mesmo tempo
Tem um contraste interessante nesse resultado: a Copa de 2014 também é lembrada, dentro de campo, pela goleada de 7 a 1 que a Alemanha aplicou no Brasil na semifinal, um dos maiores traumas recentes do futebol brasileiro. Mas isso não impediu que a competição, como produto e como espetáculo de público, fosse um sucesso quase indiscutível pelos números.
As duas coisas — o vexame esportivo e o sucesso de bilheteria — aconteceram na mesma Copa.
Isso ajuda a separar duas perguntas que costumam ser confundidas: uma Copa pode ser ruim pra seleção da casa e ainda assim entrar pra história como uma das mais bem frequentadas de todos os tempos.
Imagens: Wikimedia Commons. Final 2014: Marcello Casal Jr / Agência Brasil (CC BY 3.0 BR).